Poty Burch

 Poty Burch foi uma dessas descobertas de timeline do Facebook que nunca conseguimos retraçar o caminho trilhado, uma espécie de deriva virtual. Lembrei do Escuta, de outros projetos, mas nunca lembrei o link exato, a música, o vídeo que me chegou dele (ou em quantos outros vídeos e links fui tropeçando até chegar ali). Só lembro da sensação de ouvir e querer ser amigo. A música, aquela que não lembro, tinha deixado esse sentimento, uma espécie de admiração fraternal, ou sei lá o que exatamente quero dizer com isso. Só sei que quando começamos a pensar nas gravações e locações que usaríamos para registrar em vídeo a participação de cada artista aqui no site, Poty já era meu amigo – pelo menos no Facebook – e me disse naquela caixinha de texto do Messenger que iria apenas de voz e violão na gravação. Era justamente como eu gostaria de filmar suas composições, com esse misto da coragem de se colocar sozinho em um registro de performance, junto de um tipo de ingenuidade sincera (ou sinceridade ingênua?) que a crueza do “voz e violão” trazem para uma gravação. Longe do conceito cênico dos unplugged MTV, o que a gente queria era um canto qualquer, mas aquele qualquer meio “lá em casa”, aconchegante, cafofo, casa de amigo. Foi aí que o Valmor mandou umas fotos da varanda do Tung Studio. Ir para um estúdio nos garantiria uma fidelidade de registro sonoro que precisávamos para o projeto e, claro, usaríamos esse artifício especialmente para as bandas maiores e sonoridades mais complexas – mas o voz e violão precisava de outro espaço, outros ruídos, outras interferências. A varanda vinha com tudo isso que queríamos, uma vista para os morros da zona sul de Porto Alegre, o churrasco da casa do vizinho, os cachorros latindo, as maritacas gritando no fim da tarde, camadas e mais camadas do cotidiano que o Poty canta. E como canta. Armamos luz, câmera, gravadores, ele sentou, fez alguma piada e emendou a execução de Números Primos e Qualquer Coisa Celular. Certeiro, de primeira, sem precisar repetir nada. Poty foi nosso primeiro registro e terminamos com a certeza de ter começado bem para caralho.

Leo Caobelli (Porto Alegre, junho de 2016)

Qualquer coisa celular

Território/Fauna

Números Primos

Ficha Técnica:
Direção de Fotografia / Câmera 1 – Leo Caobelli
Câmera 2 / Edição – Vicente Carcuchinski
Fotografia Still – Sheila Uberti
Produção – Julia Assef
Desenho de Som / Som Direto – Coletivo 4’33”

Bio

 Cantor e compositor gaúcho, Poty Burch é natural de Jaguarão e busca na música a expressão de sua consciência e percepção universal. Focado em apresentar suas composições, integrou o coletivo “ESCUTA – O Som do Compositor”. Em 2013, através do coletivo, se apresentou com show acústico em diversos locais. Neste mesmo período participou de shows de outros músicos e bandas gaúchos, como Ian Ramil e Apanhador Só. Ainda em 2013 lançou o single/clipe da música “Fugas de Setembro”, veiculado em programas de TV e disponível em sites de compartilhamento na Internet.

 Entre o fim de 2014 e o início de 2015, Poty Burch gravou o EP Casa, composto por quatro músicas. O trabalho foi produzido por Ian Ramil e Guilherme Ceron e contou ainda com as performances dos músicos João Ortácio (guitarra), Guilherme Ceron (baixo), Leandro Schirmer (bateria) e Zelito (violino). O conceito visual/gráfico foi criado por Giovanna Maia. ‘Casa’ está disponível para streaming e download gratuito e teve sua versão física lançada com show no Teatro Renascença, em Porto Alegre/RS, no mês de junho de 2016.

 Ao mesmo tempo em que divulga o EP, o compositor entra em fase de pré-produção de seu primeiro disco. Músicas do próximo trabalho já figuram em suas apresentações com nova banda formada por Lorenzo Flach (guitarra), Bruno Neves (bateria) e Guilherme Ceron (baixo).

Site

Facebook