As aventuras

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 A longa tarde de gravações no tung rendeu muitas experiências, mas certamente uma das mais satisfatórias foi conhecer o som d’As Aventuras. Ouvindo Dick Dale, The Ventures, The Pyramids e outras bandas instrumentais clássicas do surf rock, construímos um conceito sobre o gênero: batidas rápidas e dançantes com guitarras elétricas cheias de reverb e amplificadores valvulados pra soltar a distorção, estilo musical que serviu de berço para gênios como o próprio Dick Dale, Brian Wilson e Takeshi Terauchi. Só que, como em muitos espaços não só dentro da música, a representatividade feminina era quase inexistente durante os anos 50 e 60 no surf music e nas bandas instrumentais. O que As Aventuras fizeram na nossa frente no estúdio foi quebrar toda essa hegemonia que ainda domina o meio da música, trazendo a força do surf rock junto com suas pegadas, estilos próprios e arranjos novos, fazendo os clássicos brilharem mais ainda. A dificuldade em manter a cabeça no lugar na hora da gravação foi tremenda, o corpo inteiro acompanhava o compasso já na primeira música, um medley de Penetration (The Pyramids) e Diamond Head (The Ventures). Os pés batiam, câmeras de um lado para o outro e nós quase dançando, e nada parecia mais apropriado: as duas guitarras, o baixo, o teclado e a bateria, todos em uma dança de salão. Saímos do estúdio com a certeza de que ali tínhamos visto algo único, essa espécie de deslocamento temporal e instrumentalização de um estilo musical “masculino” por parte de uma banda de mulheres, convertendo o paradigma de gênero presente ali em música-discurso sem precisar de uma palavra sequer.

Vicente Carcuchinski (Porto Alegre, junho de 2016)

Journey to the stars

Território/Fauna

Penetration

FICHA TÉCNICA:
Direção de Fotografia / Câmera 1 – Leo Caobelli
Câmera 2 / Edição – Vicente Carcuchinski
Fotografia Still – Sheila Uberti
Produção – Julia Assef
Desenho de Som / Som Direto – Coletivo 4’33

Bio

 A banda As Aventuras nasceu em Porto Alegre com duas proposições em essência: ser um projeto de música instrumental que trouxesse releituras e a sonoridade do gênero surf music produzido entre os anos 50 e 70, e ter sua formação unicamente por mulheres musicistas.
A primeira formação foi em 2006, mas somente em 2012 o plano do naipe feminino se consolidou. Com Nati Schmitz na guitarra solo, Carol Souza na batera, Re Martins no baixo, Aline Araújo nas teclas, Gabi Menoncin na guitarra base e Rafaella Goi no trompete, a banda imprime sua própria pegada, resultado de diversas influências, no repertório surf/rock/blues instrumental.
Trazem em sua bagagem diversos shows e eventos realizados pelo estado, além de momentos marcantes como a participação da gravação da música Squirt Surf em parceria com a Pata de Elefante, no segundo disco da banda.

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