Seria muito simples dizer que Fauna é um festival focado na experimentação entre som e imagem e que seus desdobramentos acontecem aqui nessa plataforma online participativa. Embora essa descrição sucinta seja verdadeira é importante dar dois passos pra trás para entender o que estamos propondo, já que tudo isso começou ainda em outro projeto

 Em 2012 os coletivos Garapa (Brasil) e Dokumental (Uruguai) iniciaram o projeto de criar juntos um Atlas da Fronteira entre seus dois países. Tradicionalmente um atlas é uma coleção de mapas e, com esse conceito em mente, começamos a pensar nos possíveis mapeamentos de nossos territórios e seus limites. No ano seguinte, 2013, rodamos os mais de mil quilômetros que unem nossos países filmando Doble Chapa – nosso primeiro mapa – um curta-metragem no qual som e imagem se espelham tentando traduzir uma vivência fronteiriça contemplativa e dilatada no tempo. Além desse mapa audiovisual fomos juntando outras coleções: linhas de gps, senhas de wifi, marcos, palavras da fronteira, penas, besouros, programas de rádio, sons. Sim, gravamos o silêncio fronteiriço por diversas vezes, em diferentes pontos, e cada um soa distinto.

 Desse experimento surgiu nosso conceito de mapa sonoro. Se conseguimos capturar as nuances do silêncio em cada ponto da fronteira, como soaria a música produzida em diferentes cidades do estado? No que essas músicas se parecem e no que elas se diferenciam? Como o território que elas habitam pode influenciar suas composições? Tentando responder essas questões, ou ainda criar novas perguntas, nasceu o Fauna Festival.

 

Os Nortes de um Mapa:

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 A representatividade geográfica foi nosso primeiro eixo: distribuir no mapa do estado artistas, músicos e bandas. Buscamos assim por novos realizadores da cena gaúcha sem que esse recorte territorial pudesse representar qualquer tipo de rótulo. Longe do rock gaúcho, da MPG, do CTG, formamos um grupo que vai da canção ao instrumental, da tradição à experimentação. Música pra ouvir, música pra dançar, música pra cantar, música pra tocar, música pra gritar, música pra samplear. Essa é nossa Fauna, músicos que compõe de forma plural e que, aqui, nesse festival e nessa plataforma, se desafiam a pensar em qual a contribuição do território em suas produções.

 

O Primeiro Festival:

 A primeira edição do Fauna acontecerá nos dias 19 e 20 de novembro em Porto Alegre. O festival contará com shows das 11 bandas, além de intervenções visuais e sonoras de artistas convidados

 

Os Primeiros Mapeados:

 

Trabalhos Espaciais Manuais (Porto Alegre)

Quarto Sensorial (Porto Alegre)

As Aventuras (Porto Alegre)

Musa Híbrida (Pelotas)

Poty Burch (Jaguarão)

Similares (Bagé)

João Ortácio (Rosário do Sul)

Confraria Ventania (São Borja)

Mar de Marte (Erechim)

Carmen Correa (São Leopoldo)

CComa (Caxias do Sul)

 

Futuros Mapeamentos:

 A Segunda edição do Fauna, ainda sem data definida, contará com um mapeamento feito a partir da própria plataforma online. Para isso, qualquer artista, músico e compositor atuante no RS poderá se cadastrar e criar uma página com seu material, por isso dizemos que nosso mapeamento foi apenas o primeiro. Ao longo de 2017 faremos uma curadoria do material enviado, criando posts e coleções destacando os novos talentos espalhados pelo Rio Grande do Sul, deles sairão os selecionados para tocar no Fauna 2. Para saber como enviar seu material, consulte nosso tutorial e, se ainda tiver dúvidas, escreva para fauna@fauna.art.br. Não há qualquer restrição de estilo ou tipo musical, nossas únicas diretrizes são bem simples: as composições devem ser autorais e não conter mensagens de ódio, ou discriminação. De resto o baile é livre. Participe!

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Ficha Técnica:
Leo Caobelli – Diretor Artístico e Visual
Julia Assef – Produtora Executiva e Assessora de Imprensa
Vicente Carcuchinski – Fotógrafo e 1º Assistente de Direção
Sheila Uberti – Fotógrafa e Webmaster
Coletivo 4’33” – Desenho Sonoro

Realização:
CalmaLab

Patrocínio:
Sonora Musical
Governo do Estado do Rio Grande do Sul